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21 de outubro de 2026

"Poesia às Quartas"




Declamação do poema: "Todas as cartas de amor são ridículas" de Álvaro de Campos.

Todas as cartas de amor são ridículas

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.) 

Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

 Álvaro de Campos, in "Poemas"

Heterónimo de Fernando Pessoa


 Álvaro de Campos foi um dos heterônimos de Fernando Pessoa (1888 — 1935), considerado um dos nomes mais importantes da poesia e da crítica literária portuguesa.

Pioneiro do modernismo em Portugal, o poeta escreveu sobre inúmeros temas, incluindo o mais universal de todos: o amor. 

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